sábado, 11 de dezembro de 2010

Cinco horas da manhã. As portas se trancam. Pela janela do lado de fora, vê-se cabeças transitando frenéticas dentro do “hall” de entrada, umas ainda empunhavam plumas, outras com os cabelos esvoaçados por mãos alheias, umas cabeças cambaleantes passavam mais lentas que as outras. Várias cabeças femininas passavam todas ao som do tique-tique dos saltos sobre o assoalho de madeira encoberto por cinzas de cigarro, gotas de “wisk” , pecados libidinosos e amores mal resolvidos. A atmosfera é paradoxal, a bruma do cigarro traz êxtase e ânsia, um ar comum de cabarés. O perfume francês impregnando os babados e tules que pendiam aqui e ali das saias arrancadas e da decoração das paredes.

Na antiga vitrola ainda chiava um “jazz” que a meia luz da sala, dava um ar enfadonho e ao mesmo tempo erótico às figuras femininas dispostas nas paredes fazendo caras e bocas que estimulariam o libido de qualquer reprodutor. Sob a mesa de sinuca o “barman” dormia com seu chapéu a encobrir o rosto e o colete entreaberto assim como as calças. Sobre o lustrado piano ainda jazia um copo sujo de “wisk” e batom onde voavam em círculos dois mosquitos meio que embriagados pelo vapor do álcool.

Em um canto mal iluminado por uma luminária que pendia do teto, sentava-se uma das garotas. Uma das mulheres. Sobre cartas e fichas de “poker” apoiou levemente sua taça de conhaque, acendeu um cigarro e ali ficou. Aos poucos as outras quatro se achegaram, lentas e languidas como que atraídas pelo tabaco que era queimado. Ali, as cinco sem saber, confundir-se-iam com seus sonhos e seus medos. Ali passariam a ver-se umas nas outras e em todas as outras mulheres do mundo.

Um comentário:

  1. Fe ... Adoreeei .. sabe q sou fã dos seus textos ../ lala hehehe ... continue assim ... Beijos ;*
    -Luiza

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